O proprietário do meu apartamento alugado quer vender o imóvel. O que fazer? Conheça seus direitos

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Receber a notícia de que o proprietário pretende vender o imóvel durante a locação costuma gerar insegurança. Muitos inquilinos passam a se perguntar: vou precisar sair imediatamente? Posso impedir a venda? Tenho preferência na compra? O novo proprietário pode me despejar?

A boa notícia é que a legislação brasileira protege o locatário em diversas situações. Se você está passando por isso, é importante conhecer seus direitos para evitar abusos e tomar decisões informadas.

O proprietário pode vender um imóvel que está alugado?

Sim.

O fato de o imóvel estar alugado não impede o proprietário de colocá-lo à venda. O imóvel pode ser anunciado, receber visitas de interessados e até mesmo ser vendido durante a a vigência do contrato de locação.

No entanto, a venda não elimina automaticamente os direitos do inquilino.

A Lei do Inquilinato estabelece mecanismos de proteção para evitar que o locatário seja surpreendido ou prejudicado.

Tenho prioridade para comprar o imóvel?

Sim.

Um dos principais direitos do inquilino é o chamado direito de preferência.

Isso significa que, antes de vender o imóvel para terceiros, o proprietário deve oferecer a compra ao locatário nas mesmas condições que pretende oferecer ao mercado.

A comunicação deve informar, entre outros pontos:

  • preço de venda;
  • forma de pagamento;
  • condições especiais da negociação;
  • existência de financiamento;
  • prazo para conclusão do negócio.

Após receber a proposta, o locatário possui 30 dias para manifestar interesse na compra.

Se não responder dentro desse prazo, presume-se que abriu mão da preferência.

O proprietário pode vender para outra pessoa por um valor menor?

Em regra, não.

O imóvel deve ser vendido nas mesmas condições apresentadas ao locatário.

Se o proprietário oferecer o imóvel ao inquilino por determinado preço e posteriormente realizar a venda para um terceiro por valor inferior ou condições mais vantajosas, pode haver violação do direito de preferência.

Por isso, é importante guardar:

  • e-mails;
  • mensagens;
  • notificações;
  • propostas recebidas.

Esses documentos podem ser úteis caso surja algum questionamento futuro.

Sou obrigado a permitir visitas ao imóvel?

Sim, desde que ocorram de forma razoável.

A Lei do Inquilinato prevê que o locatário deve permitir visitas de interessados na compra do imóvel, mas isso não significa que o proprietário possa entrar quando quiser.

As visitas devem ser previamente combinadas e respeitar:

  • horários razoáveis;
  • a privacidade dos moradores;
  • a rotina da família;
  • a tranquilidade do imóvel.

Caso as visitas se tornem excessivas ou abusivas, é recomendável registrar as ocorrências por escrito.

Se o imóvel for vendido, preciso sair imediatamente?

Não.

Muitos locatários acreditam que a assinatura da escritura significa que terão de deixar o imóvel imediatamente. Isso não é verdade.

A venda do imóvel não extingue automaticamente a locação.

A situação dependerá de diversos fatores, como:

  • prazo do contrato;
  • cláusulas contratuais;
  • registro do contrato na matrícula do imóvel;
  • interesse do comprador em manter a locação.

O que acontece se meu contrato ainda estiver em prazo determinado?

Quando existe um contrato por prazo determinado ainda em vigor, a situação costuma ser mais favorável ao locatário.

Dependendo das circunstâncias e das cláusulas contratuais, o comprador poderá ter de respeitar a locação até o término do prazo contratado.

Por isso, é fundamental manter uma cópia atualizada do contrato e de eventuais aditivos.

E se meu contrato já estiver por prazo indeterminado?

Essa é uma situação bastante comum.

Muitos contratos residenciais são assinados por 30 meses e, após o término desse período, o inquilino continua morando no imóvel normalmente. Nesses casos, a locação geralmente passa a vigorar por prazo indeterminado.

Quando o imóvel é vendido e a locação já está por prazo indeterminado, a proteção do locatário tende a ser menor do que em contratos com prazo determinado ainda em curso.

Dependendo das circunstâncias da venda e das notificações realizadas, o adquirente poderá exercer o direito previsto na Lei do Inquilinato para promover a retomada do imóvel, observados os requisitos e prazos legais.

Isso significa que o inquilino não precisa sair imediatamente, mas também não possui a mesma segurança jurídica de quem ainda está dentro de um contrato por prazo determinado protegido pelas cláusulas contratuais.

Por essa razão, ao receber a notícia da venda do imóvel, é importante verificar:

  • se o contrato ainda possui prazo vigente;
  • se já se tornou indeterminado;
  • quais notificações foram recebidas;
  • qual a intenção do comprador em relação à locação.

O novo proprietário é obrigado a respeitar meu contrato?

Em muitos casos, sim.

Ao comprar um imóvel alugado, o adquirente assume uma série de obrigações relacionadas à locação existente.

Por isso, é importante manter organizados:

  • contrato de locação;
  • comprovantes de pagamento;
  • laudos de vistoria;
  • comunicações realizadas com o proprietário.

Esses documentos ajudam a demonstrar a situação jurídica da locação caso surja alguma divergência.

O comprador pode me obrigar a sair imediatamente?

Não.

Mesmo quando existe fundamento legal para a retomada do imóvel, devem ser observados os procedimentos e prazos previstos em lei.

Nenhum locatário é obrigado a deixar o imóvel de um dia para o outro apenas porque ocorreu a venda.

Caso receba exigências urgentes ou ameaças de retirada imediata, é recomendável solicitar tudo por escrito e buscar orientação especializada.

O proprietário pode aumentar o aluguel porque pretende vender?

Não.

A intenção de vender o imóvel não autoriza aumentos extraordinários, cobranças adicionais ou qualquer forma de pressão econômica para forçar a saída do inquilino.

Os reajustes continuam sujeitos às regras previstas no contrato e na legislação.

Aliás, diversas dúvidas sobre cobranças durante a locação surgem em situações de conflito entre locador e locatário. Se você está enfrentando problemas financeiros relacionados ao contrato, vale conferir também nosso artigo sobre o que acontece quando o aluguel vence em feriado ou fim de semana, disponível no Morei Aqui.

O que fazer quando o proprietário informa que vai vender o imóvel?

1. Peça tudo por escrito

Evite depender apenas de conversas verbais.

Solicite que propostas, notificações e condições da venda sejam formalizadas.

2. Organize sua documentação

Guarde:

  • contrato;
  • recibos;
  • comprovantes de aluguel;
  • mensagens e e-mails.

3. Avalie se deseja comprar o imóvel

O direito de preferência pode representar uma oportunidade interessante, especialmente para quem já conhece bem o imóvel e a região.

4. Não aceite pressões indevidas

A venda não elimina automaticamente os direitos do locatário.

5. Conheça outros direitos que costumam gerar conflitos

Muitas vezes, a venda do imóvel vem acompanhada de discussões sobre obrigações do inquilino e do proprietário. Para entender melhor essas situações, você também pode ler:

Esses temas costumam aparecer com frequência em negociações de venda, entrega do imóvel e encerramento da locação.

Conclusão

O proprietário tem o direito de vender o imóvel alugado, mas isso não significa que o inquilino perderá automaticamente sua moradia ou seus direitos.

O locatário possui garantias importantes, como o direito de preferência na compra e a proteção contra exigências arbitrárias de desocupação.

Além disso, a situação pode variar significativamente conforme o contrato ainda esteja em prazo determinado ou já tenha passado para prazo indeterminado.

Por isso, antes de tomar qualquer decisão, analise cuidadosamente sua situação contratual e mantenha toda a documentação organizada.

Já passou por essa situação?

O proprietário colocou o imóvel à venda enquanto você ainda morava nele? Respeitou seu direito de preferência? Houve pressão para que você deixasse o imóvel antes do previsto?

Compartilhe sua experiência no Morei Aqui e ajude outros locatários a entender como proprietários e imobiliárias agem na prática. Sua avaliação pode evitar prejuízos e ajudar milhares de pessoas a alugarem com mais segurança.

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